Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007

A Fotografia...

 

A pedido da educadora do Rafa precisei de procurar no baú das recordações uma fotografia do pai para ele levar para a escola...

Como mãe não quero que o Rafa sofra por nada pelo que prefiro dar-lhe a calma e a paz que sempre reinou à sua volta... apesar disso doeu-me muito ter que procurar as fotografias, mexer nas minhas recordações, n as minhas alegrias e nas minhas dores...

Sei que para o Rafael é imporante sentir-se igual aos colegas e levar as fotografias dos pais... mas nestas alturas fico sempre tensa, sem saber muito bem o que fazer e como reagir...

Sempre quis que ele soubesse que tem um pai, que mora longe, mas que o ama muito apesar de não se verem... é isso que eu sinto e é isso que transmito ao meu filho...

As dores e as desilusões vou guardá-las para mim, pelo menos enquanto ele não perceber, depois talvez um dia lhe conte a história toda, aquela história que só eu e o seu pai sabemos, o porquê de nos termos afastado e tantas outras coisas... mas sobretudo a história do nosso amor... essa é a mais importante, a única que realmente interessa...

Apesar de hoje, ao remexer nas lembranças, as lágrimas quererem soltar-se voltaria a fazê-lo para ver a felicidade do Rafael por poder levar as fotografias dos pais para a escolinha...

Rafael por ti faço tudo...

sinto-me: pensativa
pintado por Lulibel às 20:54
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Terça-feira, 13 de Março de 2007

Criancinhas

Vi este texto na Visão Online e por isso gostaria de o partlhar convosco:

Criancinhas

A criancinha quer Playstation. A gente dá.

A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.

A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.

A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.

A criancinha quer camisola adidas e ténis Nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.

A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.

A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.

Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher.

Desperta.

É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.

A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.

A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.

A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».

Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal. Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».

A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».

Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha? Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos.

pintado por Lulibel às 19:59
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